Agricultores dizem não ao uso de agrotóxicos e planejam assentamento modelo
06/02/12
Por Ingrid Silveira
Intercalando 24 espécies de árvores nativas do cerrado a cultivos agrícolas como feijão andú e feijão branco, os agricultores do pré-assentamento Pequeno William participaram na sexta-feira (03/02) de mais um plantio realizados pela Funatura para o Projeto Rio São Bartolomeu Vivo. Durante a atividade, 1.470 mudas foram plantadas pela comunidade e pelos técnicos do RSBV.
À primeira vista o nome soa estranho para um pré-assentamento rural. Contudo, ele simboliza o ideal que une as famílias contra o usos de agrotóxicos. Em 2003, os agricultores ocuparam a fazenda Toca da Raposa, em Planaltina - DF, que segundo eles usava em sua produção agrotóxicos que são proibidos no Brasil. Durante a ocupação, uma criança que vivia na região morreu vítima de intoxicação por pesticidas. O nome do assentamento é uma homenagem ao pequeno William.
Atualmente, 25 famílias vivem no pré-assentamento, localizado na região de Planaltina - DF, próximo ao Instituto Federal de Brasília - IFB. De acordo com o Coordenado Geral de Plantios do RSBV, Irving Silveira, a área foi escolhida para receber parte do plantio de mudas do Projeto Rio São Bartolomeu Vivo por unir dois pontos centrais a este Projeto. “Essa é uma área repleta de nascentes e pequenos córregos que deságuam no Rio São Bartolomeu e ainda tem a questão social, uma vez que se trata de um assentamento no qual será estimulada a geração de trabalho e renda por meio da sustentabilidade."
O agricultor Gaspar Martins de Araújo, um dos coordenadores do assentamento, enfatiza que no assentamento ninguém quer saber de agrotóxico em suas terras. "As famílias selecionadas para viver nessa terra sabem que o uso de agrotóxico está fora de cogitação, a produção será baseada na agrofloresta e na produção de orgânicos".
A extensão do assentamento é de 144 hectares, mas apenas 18 ha serão utilizados para agricultura, as demais áreas serão preservadas ou manejadas utilizando Sistemas Agroflorestais - SAFs. Para tanto, eles contam com o apoio do Projeto Rio São Bartolomeu Vivo e a assessoria técnica do IFB e da EMATER.
Rodrigo Rodrigues dos Santos, também coordenador do assentamento, diz que as famílias estão muito otimistas com o plantio. "Para nós, sozinhos, seria muito difícil desenvolver esse trabalho por falta de conhecimento técnico e dinheiro". Ele alerta que as chácaras e fazendas vizinhas precisam se conscientizar quanto a importância de preservar o meio ambiente. "Aqui nós vemos vizinhos jogar veneno sem pensar nas consequências, sem pensar no mal que fazem pras suas famílias", enfatiza.
A Funatura, em parceria com o Projeto Rio São Bartolomeu Vivo, está realizando plantios em 22 áreas degradadas na região no Alto São Bartolomeu. Até o final de fevereiro serão 50 mil novas mudas na região.
O Projeto Rio São Bartolomeu Vivo é uma realização da Fundação Banco do Brasil e do BNDES.
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