Delegação franco brasileira de fundações visita assentamentos rurais no Amapá

06/02/12
Delegação franco brasileira de fundações visita assentamentos rurais no Amapá

Na última segunda-feira (30/01), os presidentes da Fundação Banco do Brasil e da francesa Fondation Macif, Jorge Streit e Alain Phillipe, viajaram para Macapá, dando início a uma missão de dois dias no estado do Amapá. A viagem aconteceu logo após  o evento Inovação Social e Tecnologia Social – Encontro de Intercâmbio rumo à Construção do Polo Regional de Fundações da América do Sul que reuniu , em Brasília (DF), representantes de fundações e institutos. Jean Bervergin, consultor da instituição canadense Caisse d’Économie Solidaire – Desjardin;  Roselyne Sérac, Diretora da Fondation Macif; e o gerente da área de Parcerias, Articulações e Tecnologia Social da Fundação BB, Jefferson D’Ávila de Oliveira integraram a delegação dos presidentes. O objetivo da missão foi conhecer de perto a realidade de comunidades de trabalhadores rurais no Estado, de forma a localizar oportunidades de atuação das duas instituições na reaplicação da tecnologia social Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (PAIS). Durante a estadia, os presidentes realizaram reuniões com potenciais parceiros e visitaram localidades sugeridas pela Fettagrap -  Federação de Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura.
 
Na terça-feira (31/01), o Superintendente Estadual do BB no Amapá, Nilvo Reinoldo Fries, recebeu a comitiva nas instalações da Superintendência do Banco. Na oportunidade realizou-se reunião,  para apresentação da tecnologia social Pais,  com representantes da Fettagrap, Instituto de Desenvolvimento Rural do Amapá - Rurap, Central Única dos Trabalhadores – CUT, além de  técnicos rurais do Banco do Brasil.  “O Amapá é um dos estados mais preservados do Brasil, mas ainda há muita coisa a ser feita” afirmou o Superintendente do BB. Nilvo Fries relatou que grande parte do que é consumido no Estado vem de fora, o que acarreta o alto preço de legumes, hortaliças e insumos.
       
Francisca Eunice da Silva, a Dona Eunice, presidente da Fettagrap e moradora do assentamento rural do Piquiá, localizado no município de Amapá, contou que o açaí, a pesca, a mandioca, a pecuária e o extrativismo são as principais cadeias produtivas. Além dos atravessadores, que chegam a ter lucros estrastosféricos com o cesto do açaí na entressafra – compram a R$ 6 e vendem a R$ 200 - D. Eunice também indicou o problema da eletrificação nas áreas rurais.  “A energia elétrica ainda não chegou para todas as famílias”, disse.
 
Após o almoço a comitiva seguiu para o município de Mazargão, onde, na agrovila Comunidade do Carvão, funciona a Escola Família Agroextrativista do Carvão. “Em 2012 estão matriculados 87 alunos, que cursam a partir da 5ª série do Ensino Fundamental até a conclusão do 2º grau em técnica agrícola”, explicou o diretor da instituição, o professor Jefferson Bispo.  No auditório da Escola foi realizada uma apresentação sobre o PAIS,  que  contou com a presença do Secretário de Agricultura de Mazargão, Ademilson Pimentel e com a ilustre participação do  Sr. Tomé de Souza Belo, 75 anos, agricultor rural que fundou a instituição.
 
Em seguida, a delegação seguiu para o município de Santana, onde visitou a Associação da Comunidade Agrovila do Anauerapucu, instalada no Centro Comunitário. “Este é o assentamento mais desenvolvido do Amapá”, disse Francisco Rosivaldo de Oliveira, mais conhecido como Nenên, presidente da Associação. “O Anauerapucu tem 38 mil hectares, onde vivem cerca de 400 famílias de agricultores rurais. A principal cultura é o açaí, mas trabalhamos também com cupuaçu, abacaxi, maracujá e pequenos animais. Queremos também passar a beneficiar o açaí e outras polpas, como o maracujá”, esclareceu.
 
No segundo dia da missão dos presidentes, terça-feira (02/02), a comitiva segui para o município de Amapá, onde conheceram e conversaram com agricultores familiares do assentamento Piquiá, a 40 km da cidade.  “Fui um dos fundadores da associação de moradores, junto com outros 29 produtores. Hoje, já são 75 associados” falou Napoleão Ferreira de Santana, presidente da Associação Agroextrativista dos Produtores e Produtoras Familiares Rurais do Piquiá (Agropiquiá). José Carlos Carvalho de Assunção, um dos produtores familiares da comunidade, ao receber a visita dos presidentes explicou a comercialização de seus produtos. “Trabalho com maracujá e pequenos animais. Toda a segunda-feira vou à cidade, Amapá. Vendo o que produzo e compro o que preciso. Tendo maracujá você vende”, afirmou. 
 
Depois de almoçar a delegação seguiu para Pracuúba onde visitou a agrovila do assentamento Cujubim. Na etapa final da missão, os presidentes conheceram a comunidade do Cedro, onde realizaram reunião com agricultores familiares para apresentação da tecnologia social. A última atividade da delegação foi uma visita à Escola Família Agrícola do Cedro. A Escola, em 2012,  conta com 86 alunos matriculados. 
 
Para Alain Phillippe, o aspecto participativo das tecnologias sociais é um fator que aproxima a Fundação BB da Fondation Macif, instituição que preside. “ Inovação social significa trabalhar com as comunidades e, neste sentido, a tecnologia social Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (PAIS)  seria uma boa resposta”, declarou.   Ao término da missão ficou acertado, entre os presidentes da fundação brasileira e da fundação francesa, que a Fundação Banco do Brasil providenciará a elaboração de um diagnóstico nas comunidades Piquiá, Cedro, Carvão, Anauerapucu, Cujubim e também no entorno de Macapá,  e na Ilha de Santana.

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