Entrevista: Jefferson de Oliveira

22/07/11
Entrevista: Jefferson de Oliveira

O gaúcho Jefferson D’Avila de Oliveira, funcionário do Banco do Brasil desde 1980, é economista formado pela Universidade Federal de Santa Maria – Santa Maria (RS), especialista em Redes de Cooperação e Relações Interorganizacionais  e Consultor em Desenvolvimento Local Integrado e Sustentável. Já foi Diretor de Desenvolvimento Industrial e Comercial da Secretaria de Município da Indústria, Comércio e Turismo na Prefeitura Municipal de Santa Maria (RS), Presidente do Conselho de Administração da Instituição Comunitária de Crédito Central  do Banco do Povo da Região Central do Rio Grande do Sul e atualmente é Gerente de Articulações, Parcerias e Tecnologia Social da Fundação Banco do Brasil. Na atual função foi co-organizador das publicações  Tecnologia Social na Fundação Banco do Brasil – Soluções para o Desenvolvimento Sustentável (2009) e do Manual de Capacitação da Tecnologia Social PAIS – Produção Agroecológica Integrada e Sustentável.  Em entrevista, Jefferson fala sobre o Prêmio de Tecnologia Social 2011.
 
 
1) O Prêmio está em sua sexta edição, certo? Quais as novidades de 2011?
 
Exatamente. É a nossa sexta edição. O Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social teve sua primeira edição em 2001 e, desde então, é concedido a cada dois anos. O objetivo do Prêmio é identificar, certificar, premiar e difundir Tecnologias Sociais já aplicadas, implementadas em âmbito local, regional ou nacional e que sejam efetivas na solução de questões relativas à alimentação, educação, energia, habitação, meio ambiente, recursos hídricos, renda e saúde. As inscrições para o Prêmio se encerram hoje, 22 de julho e já são mais de 800 iniciativas sociais inscritas na premiação.
 
Para esta sexta edição, temos duas novidades. A primeira é a inclusão de uma categoria especial direcionada especialmente para os gestores públicos. A categoria denominada “Tecnologias Social na Construção de Políticas Públicas para a Erradicação da Miséria” e tem como objetivo identificar projetos em andamento, que estejam caracterizados como ação de governo. Com isto concretizamos a intenção da Fundação e dos parceiros, que partilham esta edição do Prêmio, em aproximar cada vez mais as Tecnologias Sociais dos governadores, prefeitos municipais, secretários, e também de agentes sociais responsáveis por ONG’s, que tenham as Tecnologias Sociais como foco do seu trabalho.
 
A segunda novidade é o valor da premiação que subiu de R$ 50 para R$ 80 mil para cada categoria, divididas da seguinte forma: cinco prêmios, um por região do País e um para cada categoria especial, que são quatro, a saber: "Direitos da Criança e do Adolescente e Protagonismo Juvenil"; "Gestão de Recursos Hídricos"; "Participação das Mulheres na Gestão de Tecnologias Sociais"; além da nova categoria: "Tecnologia Social na Construção de Políticas Públicas para a Erradicação da Pobreza".  
 
2) Como você entende que a Tecnologia Social pode se tornar efetivamente uma política pública? O que a população ganharia com isso?
 
As Tecnologias Sociais possuem todas as condições para se tornarem políticas públicas. A intenção da Fundação Banco do Brasil, quando criou o Banco de Tecnologias Sociais e o Prêmio foi, precisamente, identificar métodos, produtos ou metodologias que possam ser reaplicadas, que interajam com a comunidade e representem efetivas soluções de transformação social, para democratizá-las cada vez mais. 
 
Como as tecnologias sociais já demonstraram indicadores de eficiência e eficácia para a solução de problemas nas mais diversas comunidades, quando uma tecnologia social é transformada em política pública, a transferência do conhecimento se dá de forma mais abrangente e mais rapidamente. O resultado é uma contribuição em escala  com a melhoria de vida de diversas comunidades.
 
Outro aspecto que podemos ressaltar é que quando uma Tecnologia Social é considerada política pública as condições para que os governos - tanto na esfera municipal, estadual e federal -  possam direcionar recursos de seus orçamentos para a implementação destes projetos tornam-se muito mais facilitadas.
 
 
3) O Banco de Tecnologias mantido pela FBB está com quantas iniciativas listadas? Há um trabalho de revisitação?
 
No início de 2011 o  Banco de Tecnologia Social já estava com 571 tecnologias sociais  listadas. São projetos e iniciativas que foram certificadas, finalistas e/ou  vencedoras das edições dos Prêmios anteriores. Entretanto, observamos que, no decorrer dos anos,  por diversas razões, algumas tecnologias ou deixaram de existir ou houve melhoria significativa no desenvolvimento de muitas delas. A revisão do BTS tornou-se então de fundamental importância. Entendemos que as informações disponibilizadas pela FBB devem ser precisas,  a ponto de serem entendidas por todos aqueles que desejarem conhecer e também reaplicarem por sua própria conta as Tecnologias Sociais.
 
Fizemos, então, uma parceria com o Instituto Pólis para o trabalho de revisão dessas iniciativas. Além disso, a  fundamental colaboração das Superintendências e Agências do Banco do Brasil está permitindo que este trabalho aconteça de forma muito efetiva. Atualmente, 404 tecnologias sociais continuam em funcionamento e 137 encerraram suas atividades.  O trabalho é de suma importância, pois uma vez concluído teremos um Banco de Tecnologias Sociais ainda mais confiável e ativo. O trabalho está em andamento. Na medida em que a revisita vai sendo realizada, as tecnologias sociais passam a ser disponibilizadas no novo portal da Fundação Banco do Brasil no sítio Banco de Tecnologia Social: www.fbb.org.br/tecnologiasocial.
 
4) As parcerias são fundamentais em qualquer processo social. Quais são os principais parceiros da Fundação para a realização do Prêmio?
 
As parcerias são imprescindíveis para a realização do Prêmio de Tecnologia Social. Contamos com a parceria da Petrobrás, que patrocina o Prêmio desde 2005. A  Petrobras participa ativamente do processo do Prêmio como um todo, apoiando a divulgação e opinando na definição de categorias e temas do Prêmio. O Ministério de Ciência e Tecnologia é outro patrocinador importante através da Secretaria de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social, cujo recurso investido é utilizado na realização do certame e com a participação de seus integrantes nas etapas de seleção das tecnologias.
A Unesco contribui com a divulgação do Banco de Tecnologias Sociais no país e no exterior.  A Unesco nos empresta sua expertise, o que dá credibilidade ao nosso Prêmio, com o envolvimento de seus especialistas nas diversas etapas de seleção das finalistas e vencedoras.
 

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