Quinta, 26 Outubro 2017 11:19

Comunidades tradicionais formam rede para o manejo agroecológico

Escrito por Dalva de Oliveira
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Quilombolas, assentados da reforma agrária e agricultores familiares são mobilizados para a produção sustentável de alimentos

Seja por questões de saúde ou para a preservação do meio ambiente, os alimentos agroecológicos têm despertado cada vez mais o interesse da sociedade. No município de Ilhéus, o trabalho desenvolvido pela Associação Povos da Mata Atlântica do Sul da Bahia de Certificação Participativa, aponta o sistema agroecológico como o melhor caminho, não só para a produção de alimentos saudáveis, mas também para transformar as famílias em protagonistas da conservação ambiental e do desenvolvimento socioeconômico das comunidades.

A entidade formou a “Rede de Agroecologia Povos da Mata”, com a participação de agricultores familiares, assentados da reforma agrária, comunidades indígenas, quilombolas, agricultores em geral e consumidores, também chamados de coprodutores. A Rede é a primeira da Bahia a ser credenciada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), para emitir certificados e selos orgânicos de produtos agrícolas e de seus derivados.

A certificação é realizada em estações distribuídas em quatro territórios baianos: Litoral Sul (Ilhéus e Itabuna); Baixo Sul (Ibirapitanga e Morro de São Paulo); Costa Descobrimento (Porto Seguro); e Caatinga (Irecê). Para obter a certificação, o agricultor tem que se comprometer com a produção de agricultura orgânica em conformidade com a legislação vigente e normas estabelecidas pela organização. Ao todo, são 700 famílias incluídas no processo - 250 já são credenciadas e o restante está em fase de certificação.

“Apoiamos e capacitamos produtores a certificarem e a comercializarem seus produtos, oferecendo aos consumidores mercadorias com garantia de origem”, declarou Tatiane Botelho da Cruz, presidente da Rede. Tatiane explica que o consumidor recebe o nome de coprodutor devido à participação dele no processo. “Quando o consumidor faz a opção de consumir alimentos sem agrotóxicos, ele está ajudando a cuidar dos rios, da mata e deixando de poluir o meio ambiente e, consequentemente, se torna nosso parceiro”.

A Rede, que é finalista no Prêmio Fundação BB de Tecnologia Social na categoria Agroecologia, vai muito além da certificação. Ela atua no incentivo ao associativismo, na produção e no consumo de produtos orgânicos, na aproximação solidária de agricultores e consumidores, no intercâmbio, no resgate e na valorização do saber popular e em atividades de formação socioculturais, ambientais e de cidadania.
Na propriedade da agricultora e integrante da Rede Maria da Conceição Mendes de Jesus, que fica próxima à cidade de Ilhéus, desde 2006, não entra uma gota de produtos químicos. A trabalhadora conta que depois que aprendeu a trabalhar com alimentos naturais tudo mudou. São 13 hectares com plantações de cacau, banana, mandioca e hortas. “Por longos anos trabalhei com química e não tinha conhecimento dos perigos. Depois que comecei a trabalhar com o alimento natural vi os benefícios que faz para a nossa saúde e dos nossos clientes e para o meio ambiente”. Os produtos agroecológicos da rede são comercializados em 19 feiras orgânicas de venda direta.

Prêmio Fundação BB de Tecnologia Social
Este ano, o Prêmio Fundação BB tem 18 finalistas nas categorias nacionais e três na internacional. O evento de premiação será realizado em novembro. O concurso tem a cooperação da Unesco no Brasil e o apoio do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), do Banco Mundial, da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Você pode conferir as finalistas acessando fbb.org.br/finalistas.


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