Sexta, 01 Setembro 2017 14:43

Iniciativa mapeia uso da bicicleta no Rio e propõe soluções ao poder público

Escrito por Paula Crepaldi
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Ciclorrotas é finalista do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social e já teve reaplicação em Juiz de Fora (MG)

Elaborar um projeto para integrar rotas de bicicleta à malha viária urbana, com a colaboração de usuários e interessados, e entregar a proposta para o poder público é o objetivo principal da Ciclorrotas - Metodologia Cidadã de Planejamento Cicloviário. A iniciativa da Associação Transporte Ativo é finalista no Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social 2017, na categoria Cidades Sustentáveis e Inovação Digital.

A metodologia colocada em prática na região central do Rio de Janeiro surgiu em 2012 e ganhou força na época em que a cidade se preparava para as Olimpíadas de 2016. Os integrantes da associação perceberam que as obras viárias planejadas não favoreciam a bicicleta e criaram uma forma colaborativa para o levantamento das necessidades da população em relação ao transporte sobre duas rodas.

Pelas estatísticas oficiais, de 2014, eram feitas 550 mil viagens de bicicleta por dia na capital fluminense, equivalente a 2,5 por cento dos deslocamentos. Mas a experiência em outros países dizia aos idealizadores do projeto que os números normalmente são quatro vezes maior dos que os dados oficiais.

"Buscamos tudo o que já tinha sido pensado para infraestrutura de bicicleta no centro do Rio, iniciativas do governo e da sociedade civil, desde o inicio do ano 2000. Os trechos que todos apontavam como necessários, passaram a ser parte do nosso projeto também", afirma o presidente da Transporte Ativo e idealizador da iniciativa, Fernando José Lobo.

Após o mapeamento da infraestrutura de transporte já existente e planejada, os organizadores passaram a coletar a opinião dos usuários sobre os trajetos utilizados e os desejados pelos ciclistas. Depois, realizaram oficinas presenciais e consulta pública online para coletar as observações dos interessados em geral. Além disso, fizeram uma contagem do número de bicicletas que circulavam por cinco pontos estratégicos do centro da cidade.

O passo seguinte foi elaborar propostas específicas conforme a situação das diversas vias e trechos do centro da cidade. Dependendo do volume de tráfego e do risco à segurança do ciclista, foram sugeridas ciclofaixas (separação entre carros e bicicletas sem barreira física), ciclovias (separação com barreira física) e vias compartilhadas. A proposta foi submetida à validação em nova oficina. Encerrada a fase de consulta popular e mapeamento, o projeto final propôs 33 quilômetros de ciclorrotas, que foram incorporadas ao Plano de Mobilidade Municipal até 2020, sendo que 20 por cento foram implementados, de acordo com José Lobo. O projeto também foi exposto a visitação pública, onde recebeu novas contribuições da população, que poderão ser aproveitadas na implementação das obras.

A tecnologia ciclorrotas ultrapassou as fronteiras do Rio e começou a ser reaplicada em Juiz de Fora (MG) no ano passado, por iniciativa da ONG Mobilidade JF. O projeto encampado pela prefeitura prevê a implantação de 40 quilômetros de vias para as bicicletas, dos quais foram construídos 11 quilômetros. A associação enfatiza que a mobilização das pessoas junto aos governos é imprescindível para sucesso da iniciativa. "A sociedade civil organizada tem que colocar pressão, tem que cobrar mesmo, pois a cidade é nossa", afirma Guilherme Mendes diretor da Mobilidade JF. Além de continuar cobrando da prefeitura a execução dos 40 quilômetros, eles pretendem fazer uma campanha de conscientização com a população sobre respeito no trânsito e o uso da bicicleta.

Conheça outras iniciativas finalistas do Prêmio Fundação BB de Tecnologia Social 2017 em fbb.org.br/finalistas



Prêmio
No total, 18 finalistas nas categorias nacionais e três na internacional concorrem ao Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social. O evento de premiação será realizado em novembro. Entre as 735 inscritas neste ano, 173 foram certificadas e passaram a constar no Banco de Tecnologias Sociais (BTS), um acervo online gratuito mantido pela Fundação BB. Nesta edição, o concurso tem a cooperação da Unesco no Brasil e o apoio do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), do Banco Mundial, da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Veja aqui a lista das finalistas do Prêmio
Veja aqui a lista das 173 certificadas
Visite o site do Prêmio

A divulgação deste projeto contempla três Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, que fazem parte da Agenda da Organização das Nações Unidas com metas para o ano de 2030.

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Ler 869 vezes Última modificação em Segunda, 13 Novembro 2017 16:52

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