Quarta, 06 Março 2019 14:53

Projeto Bem Viver no Semiárido proporciona soberania alimentar para famílias em vulnerabilidade social no Piauí Destaque

Escrito por Jane Rocha
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Projeto Bem Viver no Semiárido proporciona soberania alimentar para famílias em vulnerabilidade social no Piauí Foto ilustrativa

Parceria com a Fundação BB, Grupo Votorantim e Cáritas Diocesana oferece capacitações em políticas de convivênvia com o semiárido, sustentabilidade alimentar e nutricional

Famílias que se encontram em vulnerabilidade social e econômica na comunidade da Serra do Inácio, localizada em Curral Novo, no município de Picos (PI) já podem contar com um novo projeto que visa contribuir com a melhoria da qualidade de vida dos moradores da região. Lançado em fevereiro, o projeto Bem Viver no Semiárido tem como intuito propiciar a soberania alimentar de 26 famílias, através da comercialização do excedente da produção, do acesso e manejo sustentável da terra e da água para a produção de alimentos.

Apoiado pela Fundação Banco do Brasil e Instituto Votorantim, o projeto tem como objetivo trabalhar capacitações, políticas de enfrentamento à seca, sustentabilidade alimentar e nutricional das famílias que se encontram nesse contexto. A parceria prevê investimentos de R$ 1 milhão. Pelo acordo, 50% serão aplicados este ano e a diferença em 2020. Em contrapartida a Cáritas Diocesana de Crato investirá R$ 52,8 mil que serão aplicados na contratação de comunicador, curso modular de formação em agroecologia, desenvolvimento solidário e convivência com o semiárido além de solenização, banners, faixas, bonés, lanches e gastos com deslocamento do pessoal das Cáritas de Crato.

A assessora da Fundação BB, Rosângela Dangelis Brandão, explica que a ideia é reaplicar na comunidade da Serra do Inácio tecnologias sociais de convivência com o semiárido certificadas pela Fundação. “O intuito da nossa parceria é levar qualidade de vida aos moradores da comunidade da Serra do Inácio através de projetos que renderam resultados positivos em outras regiões”, comemora.

Para identificar as necessidades da comunidade e a maneira mais eficiente na aplicação dos recursos foi realizado um diagnóstico com representantes da Fundação BB e Instituto Votorantim. O resultado do trabalho indicou a reaplicação de várias tecnologias sociais para reduzir as necessidades hídricas de consumo e produção, saneamento básico e fornecimento de energia elétrica. Para isso serão utilizadas 94 unidades de tecnologia social e oito conjuntos de energia solar residencial em duas fases.

Na primeira fase, que deverá ser realizada ainda este ano, serão implantadas três cisternas de água para consumo, 16 cisternas de produção, 26 quintais agroecológicos para melhoria da alimentação e geração de renda com comercialização da produção excedente e mais 10 cisternas de bioágua. Além disso, serão capacitados 26 multiplicadores de tecnologia social, contratada a equipe técnica e adquiridos equipamentos de informática e um veículo. O objetivo da capacitação é que haja disseminação de conceitos de produção ecológica, conservação ambiental, economia solidária e de acesso às políticas, reaplicação de tecnologias sociais, aplicação e diversificação de plantas e alimentos nativos para proporcionar melhorias alimentar e a comercialização da produção excedente.

“As ações estruturantes de formação comunitária serão aplicadas com objetivo de induzir a sustentabilidade das famílias atendidas envolvendo crianças, jovens, mulheres e adultos. O projeto é de fundamental importância para essa comunidade que luta pelo direito de ter água para produção e consumo”, explica a coordenadora do “Bem viver no semiárido” pela Cáritas Diocesana de Crato, Verônica Neves Carvalho.

Na segunda fase, prevista para ser executada em 2020, serão implantados 23 banheiros ecológicos e 16 cisternas de bioágua que reaproveitará a água cinza para utilização na produção. Além disso, será instalada energia solar em oito residências por meio de kit com sete painéis solares e cinco baterias estacionárias em cada residência.

Morador de Curral Novo há 23 anos, Cícero Alves Ferreira, conta que o projeto vai transformar a vida das pessoas da região. Pai de sete filhos, o agricultor conta que a família toda sofre com a falta d’àgua. “A água aqui só da chuva ou com o carro pipa, que parece de três em três meses. A instalação das cisternas vai garantir água para todos nós durante o ano todo”, comemorou.

Ler 577 vezes Última modificação em Quarta, 06 Março 2019 16:39

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