Quinta, 22 Novembro 2018 08:56

Reciclar para transformar

Escrito por Dalva de Oliveira
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Associação recebeu investimento social da Fundação BB para compra de equipamento e inclusão social de trabalhadores na cadeia produtiva de moda alternativa

Papel, papelão, plásticos, ferro, latas, vidros, tampinhas e muitos outros produtos recolhidos em empresas e nas ruas são transformados em fonte de renda para 39 catadores de materiais recicláveis da cidade de Mogi Guaçu (SP).

Com uma população de 140 mil habitantes, o município produz aproximadamente 139 toneladas de resíduos por dia. A Associação Cooper 3R’s - Coleta Seletiva por Catadores e Reciclagem Popular recolhe parte desse material que seria jogado no aterro, cerca de 120 toneladas de materiais por mês, que são transformados em fardos para a comercialização com empresas de reciclagem. Por outro lado, peças que podem ser reaproveitadas são destinadas ao “Bazar Eco: Fomento da Economia Criativa”, negócio lucrativo desenvolvido pela associação, para melhorar a renda dos catadores. Tem também o trabalho Upcycling - reutilização criativa, que transforma subprodutos, resíduos e objetos em desuso em novos materiais ou produtos de melhor qualidade ou com maior valor ambiental. Entre os objetos transformados estão, móveis feitos de paletes, vasos, mesas e aparadores confeccionados com blindex.

Os dois projetos da entidade receberam da Fundação Banco do Brasil investimento social em dois momentos - em 2016 , R$ 60 mil destinados ao Bazar Eco e, em 2017, outros R$ 60 mil para o projeto Saúde Guaçu!, usado na compra de uma empilhadeira. Os recursos são frutos de editais do Voluntariado BB.

“Aqui na cooperativa damos uma sobrevida aos materiais recicláveis e isso está na Agenda 21 e na Política Nacional de Resíduos Sólidos, que prevê a prevenção e a redução na geração de resíduos. A regulação tem como proposta a prática de hábitos de consumo sustentável e o incentivo à reciclagem e à reutilização dos resíduos sólidos, aquilo que tem valor econômico e pode ser reciclado ou reaproveitado, e a destinação ambientalmente adequada dos rejeitos", declarou Maria Beatriz Vedovello Bimbati, fonoaudióloga, psicopedagoga, educadora ambiental. Já a voluntária Maria Beatriz desenvolve um trabalho de organização, uso correto de equipamentos, mediação de conflitos e melhoria da autoestima. “É visível o quanto eles mudaram, o olhar estético, a forma de pensar, de ver o lado bom das coisas e do quanto é importante para o meio ambiente”.

Antes de se tornar presidente da Cooper 3R’s, Maria Aparecida Nascimento atuou em várias atividades, cortou cana, colheu café e fez faxina para sobreviver. Mas o trabalho onde se encontrou foi na reciclagem. Uma característica que ela acredita ter herdado da mãe, que trabalhou por muitos anos como catadora. Na associação, Cida ganhou respeito e o carinho dos colegas, e soube aproveitar as oportunidades – trabalhou na triagem, foi fiscal, coordenadora e em abril deste ano tornou–se presidente. “O cargo não me subiu à cabeça, continuo fazendo o trabalho do dia a dia, ajudo em tudo que precisa no galpão e também no bazar. Tudo que faço na reciclagem é com amor, porque é daqui que eu tiro o meu sustento e dou minha contribuição para o meio ambiente”, disse.

De acordo com a presidente, a aquisição da empilhadeira proporcionou uma forma de trabalho mais saudável aos catadores que atuam na Central de Triagem, com menor esforço e mais rendimento. “Facilitou a organização do espaço de trabalho, pois os bags [sacos para coleta de material reciclável] e fardos puderam ser recolocados no novo ambiente de forma a realizar um mapa de risco e atender à legislação e normas de segurança e saúde no trabalho. Com o equipamento, houve aumento da produção e da renda dos associados, já que foi gasto menos tempo arrastando bags, carregando fardos ou esperando os caminhões dos atravessadores virem buscar”. A renda dos associados passou de R$ 900 para R$ 1.100. As vendas aumentaram, e os materiais antes destinados à reciclagem foram comercializados, como no caso das garrafas brancas de leite Jussara, entre outros, que puderem ser armazenados para carga suficiente e viável para transporte pelas recicladoras.

Os catadores também receberam capacitações e participaram de seminários nos últimos anos nas áreas de economia circular e criativa, negócios sustentáveis e upcycling, com a presença de costureiras, artistas plásticos, ambientalistas, empresários da moda, arquitetos e estudantes de moda e engenharia ambiental.

Desde 2003, a Fundação Banco do Brasil atua na cadeia produtiva de resíduos sólidos com a inclusão social dos catadores de materiais recicláveis em ações de geração de trabalho e renda e de educação, e apoia a melhoria das condições de trabalho.

Ler 494 vezes Última modificação em Quinta, 22 Novembro 2018 12:13

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