GIFE Mulheres em Rede

Parceria entre Fundação BB e ONU Mulheres irá impulsionar agricultoras familiares do Rio Grande do Sul, Paraná e Rio de Janeiro

“A gente tem que chorar no começo para sorrir no fim”. Foi com esta frase, que a jogadora Marta da Silva sintetizou como deve ser o investimento para que o futebol feminino brasileiro seja vencedor. O desabafo foi após a derrota para o time da França em junho. Marta, além de ser eleita seis vezes a melhor jogadora do mundo pela Federação Internacional de Futebol (Fifa), é embaixadora da ONU Mulheres e reivindica os mesmos direitos para homens e mulheres no futebol.

A metáfora “chorar no começo, para sorrir no fim” é uma realidade para várias mulheres, não só no futebol, mas também na agricultura. Ainda há uma realidade no meio rural, da mulher cuidar da casa, dos filhos, da lavoura, mas a decisão sobre os rumos da produção continuam na mão dos homens. Estudos da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), que representa a posição da ONU, aponta que as mulheres são responsáveis por 40% da produção de alimentos no Brasil, mas não possuem os mesmos acessos aos recursos de financiamento agrícola, aos serviços e educação. Porém, em países em que as mulheres alcançam as mesmas oportunidades, a produção agrícola aumenta no mínimo um terço. Isto ocorre porque as mulheres tendem a reinvestir o lucro na produção e no bem-estar da família.

Este é um dos diagnósticos levantados pela ONU Mulheres que possibilitou a parceria entre a entidade e a Fundação Banco do Brasil no projeto Mulheres Rurais em Rede. A união de forças, possibilitou o apoio para o Movimento de Mulheres do Nordeste Paraense (MMNEPA), em janeiro deste ano, da Associação de Comercialização Solidária Xique Xique, no Rio Grande do Norte e a mais nova entidade beneficiada é a Cooperativa de Comércio Justo e Consciente GiraSol, com sede em Porto Alegre.

O investimento social é de mais de R$ 849 mil e vai atender 18 empreendimentos de agricultoras familiares, quilombolas e mulheres reassentadas pela reforma agrária dos estados do Rio Grande do Sul, Paraná e Rio de Janeiro. Serão 180 mulheres atendidas de forma direta e ao todo, 14 municípios contemplados: Teresópolis, Magé e Maricá no estado do Rio de Janeiro; Pitanga, Mallet, e Inácio Martins no estado do Paraná e; Mostardas, Itati, Torres, Viamão, Gravataí, Taquara, Portão, Piratini no estado do Rio Grande do Sul.

A parceria foi assinada no dia 10 de julho, em Porto Alegre com as presenças do presidente da Fundação BB Asclepius Soares, representante da ONU Mulheres do Brasil, Ana Carolina Querino e das representantes de entidades ligadas ao movimento de mulheres do campo, agroecologia e economia solidária.

Para o presidente da Fundação Banco do Brasil o objetivo da parceria é fortalecer os empreendimentos solidários e econômicos liderados por mulheres e reduzir as desigualdades. “Ao fazer esta parceria com a ONU Mulheres, a Fundação BB contribui ainda mais para a autonomia, geração de renda e protagonismo das mulheres rurais”, avalia.

Capacitação, beneficiamento e comercialização

A Cooperativa GiraSol faz parte da Rede de Economia Solidária e Feminista (Resf) e tem atuação nos três estados que o projeto irá apoiar. Como cada organização está em diferentes estágios no processo de produção e comercialização agroecológica, as ações serão desenvolvidas em três etapas: primeiro a capacitação sobre melhores práticas agroecológicas, fortalecimento dos empreendimentos solidários a partir das realidades locais e beneficiamento e estrutura para comercialização dos produtos.

A coordenadora do projeto Tanara Lucas explica que já há a feira de Teresópolis (RJ) onde as produtoras já comercializam o que produzem, então será fornecido barracas e capacitação para beneficiamento dos produtos para aumentar a renda. Na cidade de Pitanga, no Paraná, a rede de mulheres também tem um espaço de comercialização de produtos agroecológicos, assim, o projeto vai impulsionar a produção de leite, já que a região tem este potencial.

“As mulheres quilombolas aqui do Rio Grande do Sul plantam para a subsistência porque ainda não sabem aproveitar o potencial do solo, então, primeiro faremos as capacitações, depois a estruturação logística e construiremos o armazém por meio da parceria com a Fundação BB. Nossa expectativa é transformar esta dinâmica e estimular estas mulheres quilombolas a produzirem excedente para venda e assim adquirirem autonomia", avalia Tanara. Autonomia que pode ser relacionada com “o sorrir no fim”, como disse a jogadora Marta.

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 Rede Xique Xique receberá recursos para produção de alimentos agroecológicos e reaplicação de tecnologias sociais

A Fundação Banco do Brasil, em parceria com a ONU Mulheres, vai apoiar a Associação de Comercialização Solidária Xique Xique que atua no comércio de produtos agroecológicos de mulheres produtoras rurais da região de Mossoró (RN). O projeto intitulado “Mulheres em Rede: fortalecendo a auto-organização, produção, comercialização e autonomia socioeconômica”, pretende contribuir para a mobilização, empoderamento e geração de renda das agricultoras rurais. A solenidade de assinatura do convênio vai ocorrer nesta quinta-feira (28), na cidade de Mossoró e contará com a presença de representantes da Fundação BB, ONU Mulheres, Secretário de Desenvolvimento Rural e Agricultura Familiar do RN, Alexandre de Oliveira, além de autoridades e parceiros locais.

O aporte financeiro da Fundação BB será de R$ 750 mil e dará condições para a entidade construir a sede da associação, que irá funcionar como um espaço multiuso para capacitação, comercialização e o projeto também vai contemplar a construção de uma cozinha para beneficiamento e armazenamento de alimentos agroecológicos. Cerca de 300 agricultoras devem ser beneficiadas diretamente com esta iniciativa.

Adriano Cavalcanti, coordenador do projeto, acredita “que às ações propostas serão importantes para o fortalecimento dos empreendimentos de economia solidária”. O projeto, com duração de um ano, será desenvolvido em dez cidades: Mossoró, Governador Dix-Sept Rosado, Baraúna, Tibau, Grossos, Apodi, São Miguel, São Miguel do Gostoso, Messias Targino e Janduís.

Para Ana Carolina Querino, representante interina da ONU Mulheres Brasil, é emblemática a dotação da Fundação Banco do Brasil para a Associação de Comercialização Solidária Xique Xique às vésperas do Dia Internacional das Mulheres. “Empoderar trabalhadoras e mulheres rurais e investir recursos financeiros contribui para viabilizar projetos coletivos que gere autonomia econômica, com foco no desenvolvimento sustentável de comunidades”, destaca ao lembrar o compromisso entre a ONU Mulheres e FBB para o empoderamento econômico das mulheres. Segundo Querino, “ao longo do mês de março, a ONU Mulheres enviará mensagens para governos, empresas e sociedade de todo o mundo de que é preciso investir nas mulheres e construir soluções inteligentes, inovadoras com tecnologias sociais e digitais voltadas para o acesso das mulheres a serviços, proteção social e infraestrutura”.

O presidente da Fundação Banco do Brasil, Asclepius Soares, destaca que o apoio às mulheres da Rede Xique Xique vai gerar renda e também contribui para o desenvolvimento da economia local destes municípios, o que gera transformação social. “Fortalecer a atuação das mulheres e a agroecologia traz inúmeros benefícios para as comunidades locais, como é o caso da Rede Xique Xique”, avalia Asclepius.

Reaplicação de Tecnologias Sociais

Além de produção de produtos agroecológicos, a rede de mulheres irá reaplicar tecnologias sociais. Para Francisca Eliane, coordenadora da Rede Xique Xique, o projeto vai proporcionar uma maior autonomia dos grupos de mulheres participantes, promovendo a inclusão social e geração de renda além de melhorar os indicadores socioeconômicos das produtoras rurais.

As ações do projeto também irão contemplar a implantação de tecnologias sociais de convivência com o semiárido como os Sistemas de Reuso de Água Cinza, Energia Solar e Banco de Sementes Crioulas. “O reuso de água nos permite gerir um destino sustentável, ao aproveitarmos a água cinza, onde após tratada, poderá ser utilizada nas frutas e hortaliças que garantem a comida em nossa mesa e ainda diminui o desperdício de água”, avalia Francisca.

 

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Parceria tem o objetivo de fortalecer o ODS 5 sobre igualdade de gênero e vai beneficiar cerca de 700 mulheres da região nordeste do estado

Uma parceria entre a Fundação Banco do Brasil e a ONU Mulheres vai apoiar associações que promovem o protagonismo e o combate à violência contra as mulheres no Brasil. Uma das entidades assistidas será o Movimento de Mulheres do Nordeste Paraense MMNEPA. Criada em 1993, em Capanema – cidade a 165 km de Belém - o MMNEPA tem como missão fortalecer o papel da mulher para superar as desigualdades sociais, promovendo o desenvolvimento humano, integrado, sustentável, buscando a justiça social, emancipação feminina e equidade de gênero através da organização, formação e articulação.

O investimento social de R$ 750 mil será destinado para 43 grupos de mulheres, em 14 cidades do nordeste paraense, totalizando um atendimento direto a 700 participantes. Estes grupos estão nos seguintes municípios: Aurora do Pará, Capanema, Bragança, Irituia, Mãe do Rio, Capitão Poço, Ourém, Nova Timboteua, Santa Luzia do Pará, Santa Maria do Pará, São Domingo do Capim, São Miguel do Guama, Salinópolis, Tracuateua.

O diretor de desenvolvimento social da Fundação Banco do Brasil, Rogério Biruel, explica que a cooperação com a ONU Mulheres é fundamental para fortalecer o protagonismo feminino. “Essa parceria com o Movimento de Mulheres do Nordeste Paraense e a ONU Mulheres amplia a defesa de direitos, promove a inclusão produtiva, o empoderamento econômico e a participação das mulheres em diversos espaços da sociedade”, avalia.

O convênio será assinado na próxima quarta-feira, 23, em Santa Maria do Pará, com a presença de representantes da Fundação Banco do Brasil, ONU Mulheres, autoridades, representantes de entidades parcerias e lideranças locais e regionais.

 Empoderamento econômico e sustentável para as mulheres

A parceria entre Fundação Banco do Brasil e ONU Mulheres é resultado do compromisso da instituição com a plataforma dos Princípios de Empoderamento das Mulheres, da qual o Banco do Brasil é signatário, e visa mostrar como as fundações empresariais podem contribuir para o alcance do ODS 5 (Objetivo do Desenvolvimento Sustentável) – Alcançar a igualdade de gênero e empoderamento de todas as mulheres e meninas. As mulheres brasileiras ainda enfrentam muitos desafios, são sobrecarregadas pelos trabalhos do cuidado não remunerados e ainda trabalham muitas vezes na informalidade.

“O empoderamento econômico das mulheres é decisivo para a transformação de suas vidas, de suas comunidades e da economia como um todo. Investir na capacidade produtiva das mulheres, nos seus locais de vida e promover o fortalecimento de grupos de mulheres são iniciativas concretas para alterar a economia como foco em direitos e sustentabilidade, além de influenciar novas práticas em toda a cadeia produtiva em favor das mulheres”, afirma Nadine Gasman, representante da ONU Mulheres Brasil. Gasman lembra a relação entre o ODS 5 com todos os objetivos globais, entre eles o ODS 8 – Trabalho Decente e Crescimento Econômico e ODS 2- Fome Zero e Agricultura Sustentável. “Esse investimento social e produtivo demonstra como os objetivos globais fazem parte da vida real das brasileiras e como enfrentar as desigualdades de gênero, raça e etnia implica ações em diferentes áreas”, completa.


Autonomia econômica e fim da violência de gênero

Diagnóstico realizado em 2010, com as participantes da associação comprovou que mulheres que possuem autonomia financeira, sofrem muito menos com a violência. Segundo a ONU Mulheres, o Brasil é o quinto país com maior taxa de feminicídio (assassinato de mulheres por razões de gênero): 4,8 vítimas para cada 100 mil mulheres. Levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) com dados de 2016, informa que o Pará tem uma taxa de 7,2 vítimas para cada 100 mil mulheres, colocando o estado como o segundo mais letal para as mulheres.

Esta realidade em números pode ser expressada pela vivência narrada por Rita Teixeira, uma das coordenadoras do MMNEPA. “Costumamos dizer que quando eu pago a conta, eu determino quem senta na minha mesa e isto é o propósito do MMNEPA acabar com a violência pelo empoderamento social e econômico para nós, mulheres, vivermos dias melhores”.

As participantes da associação são em sua maioria mulheres agricultoras, quilombolas e extrativistas. O apoio financeiro da Fundação BB, em parceria com a ONU Mulheres, possibilitará a reforma de dez espaços para beneficiamento do mel, a compra de quatro tendas para comercialização de produtos, aquisição de um veículo utilitário, além de capacitações e intercâmbios para serem apresentadas novas práticas de produção e manejo de mel, farinha de milho, produtos agroecológicos e artesanato para agregar valor e aumentar a renda das mulheres associadas ao MMNEPA.

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