Quinta, 27 Junho 2019 14:40

Tesouras na mão e um emprego à vista

Portal   Ciame

Cursos profissionalizantes dão novo rumo para mulheres e jovens em situação de vulnerabilidade na comunidade de Bom Pastor, em Natal (RN)

O desemprego é uma situação que assusta boa parcela da sociedade, pois sem a garantia de um emprego fixo, muitas pessoas não têm previsão financeira para pagar as contas e manter sua moradia e subsistência. Esta situação se agrava a cada mês de espera pelo novo emprego. Uma análise de mercado de trabalho divulgada neste mês pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), revela que o desemprego de longo prazo atinge mais fortemente as mulheres e jovens. Entre as pessoas sem emprego, 28,8% estão nesta condição há pelo menos dois anos, contra 20,3% dos homens desempregados no mesmo período. Na análise por faixa etária, 27,3% dos desempregados com mais de 40 anos insistem sem sucesso na busca por trabalho há pelo menos dois anos, mas o crescimento do desemprego de longo prazo é maior entre os jovens. As regiões Norte e Nordeste são as mais afetadas.

Frente a este cenário, um projeto realizado em Natal (RN), busca qualificar jovens e mulheres no ramo de estética e beleza, além de desenvolver habilidades empreendedoras para este público. O projeto “Inclusão Social e Empoderamento de Jovens e Mulheres” nasceu a partir de um convênio entre a Fundação Banco do Brasil e Instituto Bom Pastor, com o intuito de oferecer qualificação profissional para um público vulnerável na região. O convênio foi assinado em outubro de 2018 e desde então passou a oferecer cursos de corte de cabelo, auxiliar de cabeleireiro, barbeiro e manicure.

Os cursos foram realizados no Centro Integrado de Atendimento a Mulher (Ciame), do Instituto Bom Pastor, e foram ofertados para capacitação de jovens entre 15 a 29 anos, mulheres, pessoas com deficiência, público LGBT ou pessoas que tenham dependentes com câncer. O intuito foi fortalecer a autoestima, o resgate da dignidade, o exercício da cidadania, a profissionalização e também para impactar socialmente na melhoria da qualidade de vida da comunidade do bairro Bom Pastor, zona Oeste de Natal.

Segundo a coordenadora do projeto, Jane Martins de Lima Nunes, a opção dos cursos surgiu a partir de uma demanda local. “Escolhemos os cursos por recebermos este tipo de pedido e para oferecermos uma oportunidade de geração de renda para o público que nos procura. Vimos neste projeto uma oportunidade de transformar vidas, empoderando essas pessoas com qualificação profissional e cidadania”, conclui.

Além dos cursos de estética e beleza e noções de empreendedorismo, Jane relata que também foram ofertadas oficinas importantes para uma cultura de paz, como prevenção da violência doméstica praticada contra mulheres, noções de direitos humanos e sociais, ética e cidadania e oficinas que abordaram os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), da Agenda 2030, elaborada pela Organização das Nações Unidas (ONU). “Também tivemos turmas que conferiram palestras com a equipe da Mesa Brasil sobre o aproveitamento de alimentos e oficinas de matemática e lógica, para melhorar o desempenho dos futuros profissionais. O Mesa Brasil é uma rede nacional de bancos de alimentos contra a fome e o desperdício, liderada pelo Serviço Social do Comércio (Sesc). Todos os alunos também participaram de ações sociais para praticar suas habilidades em comunidades locais, escolas públicas e associações”, relata Jane.Weslley

Ao todo, 67 pessoas realizaram os cursos, concluindo a formação de 23 novos cabeleireiros e auxiliares, 25 barbeiros e 19 novas manicures, todos com certificado. Adenilson Weslley Ribeiro Bezerra, 24, foi um dos que concluíram o curso de barbeiro. Ele já havia trabalhado anteriormente, mas estava há quase dois anos sem um trabalho fixo. Logo depois de receber o certificado, Weslley, como é conhecido, conseguiu abrir a sua própria barbearia. “O curso me ajudou muito, pois aprendi novas técnicas e as oficinas também foram muito boas”. Ele foi motivado por um amigo cabeleireiro a realizar o curso e hoje os dois trabalham juntos. “Já tenho minha clientela e a qualidade de vida melhorou bastante”, conclui o jovem que pretende se aperfeiçoar mais no ramo para abrir um estúdio de barbearia futuramente.

Já a maquiadora Joice Vanessa Domingos Moreira, 23, foi uma das participantes do curso de manicure. Ela já havia realizado cursos e estágios como bartender, mas foi no ramo da beleza que ela se viu realizada - tanto, que abriu o seu próprio salão de beleza. “Eu sempre gostei de automaquiagem, então fiz vários cursos e fui aperfeiçoando com workshops. Depois comecei a atender pessoas em domicílio e agora tenho um salão, que fica na minha casa”, relata. Ela quis complementar seus conhecimentos também como manicure, pois era um pedido de suas clientes. Além de fazer unhas, ela também trabalha com prancha, estética, design de sobrancelhas e maquiagem, com hora marcada.

Joice

 Joice relata que o curso no Ciame foi muito proveitoso. “A professora passou muita segurança para este trabalho e também pude ter noções sobre o uso correto de     diversas   ferramentas que garantem mais qualidade no trabalho, como esterilização de equipamentos, uso de máscara, touca, luvas, etc”, pontua.

 Agora a profissional se divide entre os atendimentos no seu salão de beleza e as oficinas que ministra como voluntária no lugar onde tudo começou. Joice dá aulas de   automaquiagem no Ciame e repassa todos os seus conhecimentos para que outras jovens também tenham uma profissão e construam um futuro melhor.

 Voluntariado BB

 O projeto “Inclusão Social e Empoderamento de Jovens e Mulheres”, de autoria do Instituto Bom Pastor, foi selecionado por meio do edital Voluntariado BB em 2018 e recebeu o investimento social de R$ 90 mil. Participam do     processo de seleção projetos sociais desenvolvidos por entidades sem fins lucrativos, que têm a atuação de um voluntário e funcionário do Banco do Brasil. A seleção busca apoiar iniciativas que promovam a cidadania, geração   de  trabalho e renda, cuidado ambiental, educação, cultura, esporte e saúde. 

 

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 Rede Xique Xique receberá recursos para produção de alimentos agroecológicos e reaplicação de tecnologias sociais

A Fundação Banco do Brasil, em parceria com a ONU Mulheres, vai apoiar a Associação de Comercialização Solidária Xique Xique que atua no comércio de produtos agroecológicos de mulheres produtoras rurais da região de Mossoró (RN). O projeto intitulado “Mulheres em Rede: fortalecendo a auto-organização, produção, comercialização e autonomia socioeconômica”, pretende contribuir para a mobilização, empoderamento e geração de renda das agricultoras rurais. A solenidade de assinatura do convênio vai ocorrer nesta quinta-feira (28), na cidade de Mossoró e contará com a presença de representantes da Fundação BB, ONU Mulheres, Secretário de Desenvolvimento Rural e Agricultura Familiar do RN, Alexandre de Oliveira, além de autoridades e parceiros locais.

O aporte financeiro da Fundação BB será de R$ 750 mil e dará condições para a entidade construir a sede da associação, que irá funcionar como um espaço multiuso para capacitação, comercialização e o projeto também vai contemplar a construção de uma cozinha para beneficiamento e armazenamento de alimentos agroecológicos. Cerca de 300 agricultoras devem ser beneficiadas diretamente com esta iniciativa.

Adriano Cavalcanti, coordenador do projeto, acredita “que às ações propostas serão importantes para o fortalecimento dos empreendimentos de economia solidária”. O projeto, com duração de um ano, será desenvolvido em dez cidades: Mossoró, Governador Dix-Sept Rosado, Baraúna, Tibau, Grossos, Apodi, São Miguel, São Miguel do Gostoso, Messias Targino e Janduís.

Para Ana Carolina Querino, representante interina da ONU Mulheres Brasil, é emblemática a dotação da Fundação Banco do Brasil para a Associação de Comercialização Solidária Xique Xique às vésperas do Dia Internacional das Mulheres. “Empoderar trabalhadoras e mulheres rurais e investir recursos financeiros contribui para viabilizar projetos coletivos que gere autonomia econômica, com foco no desenvolvimento sustentável de comunidades”, destaca ao lembrar o compromisso entre a ONU Mulheres e FBB para o empoderamento econômico das mulheres. Segundo Querino, “ao longo do mês de março, a ONU Mulheres enviará mensagens para governos, empresas e sociedade de todo o mundo de que é preciso investir nas mulheres e construir soluções inteligentes, inovadoras com tecnologias sociais e digitais voltadas para o acesso das mulheres a serviços, proteção social e infraestrutura”.

O presidente da Fundação Banco do Brasil, Asclepius Soares, destaca que o apoio às mulheres da Rede Xique Xique vai gerar renda e também contribui para o desenvolvimento da economia local destes municípios, o que gera transformação social. “Fortalecer a atuação das mulheres e a agroecologia traz inúmeros benefícios para as comunidades locais, como é o caso da Rede Xique Xique”, avalia Asclepius.

Reaplicação de Tecnologias Sociais

Além de produção de produtos agroecológicos, a rede de mulheres irá reaplicar tecnologias sociais. Para Francisca Eliane, coordenadora da Rede Xique Xique, o projeto vai proporcionar uma maior autonomia dos grupos de mulheres participantes, promovendo a inclusão social e geração de renda além de melhorar os indicadores socioeconômicos das produtoras rurais.

As ações do projeto também irão contemplar a implantação de tecnologias sociais de convivência com o semiárido como os Sistemas de Reuso de Água Cinza, Energia Solar e Banco de Sementes Crioulas. “O reuso de água nos permite gerir um destino sustentável, ao aproveitarmos a água cinza, onde após tratada, poderá ser utilizada nas frutas e hortaliças que garantem a comida em nossa mesa e ainda diminui o desperdício de água”, avalia Francisca.

 

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Projetos vão beneficiar pequenos produtores nas regiões de Canguaretama, Agreste, Trairi, Apodi e Alto do Rodrigues

A Fundação Banco do Brasil e o Sebrae RN firmaram nesta quinta-feira, 22, parceria para desenvolver atividades econômicas em diferentes regiões do Rio Grande do Norte. Um dos projetos vai beneficiar produtores de ostras de Canguaretama, onde será substituído o sistema extrativista para o cultivo do molusco. O outro é de criação de aves caipiras em 11 municípios das regiões Agreste e Trairi, essa última considerada o principal polo avícola do Rio Grande do Norte.

O primeiro convênio contempla o Projeto de Desenvolvimento da Ostreicultura na cidade de Canguaretama, que fica a cerca de 78 quilômetros da capital potiguar. O município é um dos principais polos produtores de ostras nativas do estado, mas a atividade extrativista está dizimando os bancos naturais do molusco. O projeto vai dar consultoria técnica a 30 produtores da região, cada um receberá um kit com estrutura para criação de ostras e 20 mil sementes. O objetivo é que esses ostreicultores passem a cultivar a ostra no estuário do rio Curimataú em vez de extraí-la dos manguezais.

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O outro termo de cooperação vai focar na criação de aves caipiras para corte e obtenção de ovos. O projeto envolve as cidades de Santa Cruz, São Bento, Serra Caiada, Senador Eloi de Souza, Lagoa de Velhos, Bom Jesus, Passa e Fica, Nova Cruz, Santo Antônio do Salto da Onça e Goianinha. A intenção é expandir a criação desse tipo de ave, que já está em desenvolvimento em municípios da região do Trairi, que é o principal polo avícola do Rio Grande do Norte. Somente em Santa Cruz há cerca de 70 estabelecimentos da avicultura industrial integrada, cada um com pelo menos 15 mil aves alojadas.

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Central de comercialização
A parceria prevê ainda um terceiro projeto, com o apoio da Cooperativa Central da Agricultura Familiar do Rio Grande do Norte – (Cooafarn), com investimento social de R$ 96,6 mil para a compra de equipamentos, sinalização, climatizadores e carrinhos de supermercado.

De acordo com a coordenadora da Central, Fátima Torres, todas cooperativas que comercializam no empreendimento já receberam benefícios da Fundação BB em algum momento. "Este novo apoio trará melhorias para comercialização dos produtos dos agricultores, para a comodidade dos clientes, e consequentemente, na renda das famílias”.

Inaugurada em março de 2017, a Central abriga hoje 40 agricultores individuais que vendem os produtos nas bancas e, ainda, boxes de dez cooperativas que representam cerca de 2 mil agricultores filiados à rede COOAFARN. A Central de Comercialização tem uma variedade de produtos - hortifrutis em geral, (orgânicos, agroecológicos e convencionais), produtos regionais, como queijos e derivados do leite, doces e geleias, castanha de caju, mel, polpas de frutas, galinha caipira, cordeiro, carneiro, carne de sol do Seridó, artesanato e comidas regionais.

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Restauração de canal
Também foi assinada parceria, em conjunto a Associação dos Irrigantes do Setor V do Projeto Baixo Açu (Assiba V), no município de Alto do Rodrigues (RN), com objetivo de recuperar o canal principal de irrigação atendido pelo Rio Açu, com cerca de 20 quilômetros de extensão. O recurso de R$ 248 mil será utilizado na recuperação das placas de cimento do canal, para reduzir as perdas de 31% do volume de água canalizada, devido a rachaduras e infiltrações, conforme estudos da Agência Nacional de Águas. O canal abastece cerca de 760 agricultores familiares, do Distrito de Irrigado do Baixo Açu, na região centro-norte do estado do Rio Grande do Norte, a 150 km da capital Natal.

A divulgação deste projeto contempla três Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, que fazem parte da Agenda da Organização das Nações Unidas com metas para o ano de 2030.

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